Um novo olhar sobre política, justiça e economia

Destaques

Vorcaro tenta salvar a pele com nova delação e promete contar tudo

Dono do Banco Master, pivô de escândalo bilionário, reabre negociações com PF e PGR e, em troca de liberdade, promete...

da Redação

04 junho 2026

Vorcaro tenta salvar a pele com nova delação e promete contar tudo

Vorcaro tenta salvar a pele com nova delação e promete contar tudo.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e protagonista de um dos maiores escândalos financeiros recentes, voltou à mesa de negociações com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) concordando em debater uma nova proposta de delação premiada.

Depois de ver sua primeira proposta rejeitada por ser considerada “omissiva” e “inconsistente”, o banqueiro apresentou uma nova versão nesta semana, conforme o BRASIL CONFIDENCIAL divulgou nesta quarta-feira (3). Mas o recado dos investigadores é direto: só haverá acordo se ele admitir irregularidades, detalhar suas relações políticas e aceitar ressarcir cerca de R$ 60 bilhões.

A defesa, agora comandada pelo criminalista Sérgio Leonardo, entregou documentos em reuniões nestas segunda e terça-feiras. Um encontro previsto para ontem (3) foi cancelado porque os investigadores pediram mais tempo para analisar os anexos.

Condições impostas

O cálculo de ressarcimento inclui prejuízos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), perdas do BRB com carteiras falsas e aportes de fundos de previdência estaduais e municipais, como o Rioprevidência e o Amprev (Amapá).

A PF e a PGR também querem o passo a passo de como Vorcaro movimentou bilhões por meio de fundos nacionais e internacionais.

Ciro Nogueira

Na primeira proposta, o banqueiro deixou de fora relatos considerados cruciais, como o suposto pagamento de uma mesada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido, alvo de busca e apreensão no mês passado. Nogueira nega irregularidades.

Esposa de Moraes

Outro ponto polêmico foi a menção a um contrato de R$ 50 milhões entre empresa ligada a Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O documento não foi assinado. Em nota, Barci de Moraes afirmou não ter concretizado nenhum contrato com o banqueiro. O ministro preferiu não comentar.

Pressão política e eleitoral

Investigadores avaliam que Vorcaro precisa aprofundar os detalhes das relações políticas que mantinha e apresentar provas que corroborem frentes de apuração já em andamento. O mês de julho era visto como limite para que a delação não fosse contaminada pelo período eleitoral, o que acelerou a entrega da nova versão.

Extravagâncias em Nova York

As investigações também avançam sobre gastos extravagantes de Vorcaro nos Estados Unidos. Planilhas apreendidas mostram que, em maio de 2024, ele desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões em festas e eventos para políticos e autoridades em Nova York.

Entre os luxos, uma degustação de uísques e charutos no exclusivo Carnegie Club, onde cada convidado saiu com uma garrafa de Macallan 25 anos avaliada em R$ 30 mil. Houve ainda um jantar no restaurante Nusr-Et, do chef Salt Bae, e a chamada “noite das astronautas”, festa com mulheres fantasiadas em trajes prateados, que custou mais de R$ 3,7 milhões, relata a jornalista Malu Gaspar.

Um e-mail apreendido detalha custos de mais de 526 mil euros para bancar artistas e performances, além de taxas de 109 mil euros. Tudo pago por meio de wire transfer, sistema de remessas internacionais sem intermediários.

O papel do STF

Com a nova proposta em mãos, PF e PGR vão avaliar se há informações inéditas e relevantes. Caso avancem, Vorcaro será convocado para depoimentos e terá de apresentar provas que sustentem seus relatos. Se houver consenso, o acordo será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por decidir sobre a homologação.

Enquanto isso, os investigadores seguem cruzando dados de oito celulares apreendidos com o banqueiro, relatórios do Banco Central e da Receita Federal, além de informações de outros alvos da operação.

Contexto e impacto

O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central, após denúncias de fraudes bilionárias. A delação de Vorcaro é vista como peça-chave para destravar investigações que envolvem políticos de alto escalão e fundos públicos.

A PF deixou claro que pretende fazer “jogo duro” com o banqueiro, que na primeira oportunidade omitiu relatos de interesse dos investigadores. A expectativa é que, desta vez, ele entregue provas concretas e confesse irregularidades.

Recomendados