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Brasil anuncia acordo para compra de 20 novos caças Gripen da Suécia

Múcio assina carta de intenções com Estocolmo; programa já consumiu 57% da verba e entregou apenas 11 de 36 aeronaves...

da Redação

04 junho 2026

Brasil anuncia acordo para compra de 20 novos caças Gripen da Suécia

Brasil anuncia acordo para compra de 20 novos caças Gripen da Suécia.

O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira, 4, a intenção de adquirir mais 20 caças Gripen E/F, fabricados pela sueca Saab.

O acordo foi firmado em Estocolmo, Suécia, pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e seu colega sueco, Pål Jonson, durante visita oficial que celebrou os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

A decisão surpreendeu especialistas e integrantes da própria Defesa, já que a pasta foi a mais afetada pelo bloqueio de gastos anunciado na semana passada, com corte de R$ 4,36 bilhões.

Ainda assim, o Brasil sinalizou disposição em ampliar a frota de caças, que hoje conta com apenas 11 unidades entregues de um contrato inicial de 36 aeronaves, assinado em 2014. Até o momento, 57% da verba prevista já foi executada.

O novo lote, se confirmado, elevará o total de encomendas para 56 aeronaves, consolidando o Gripen como eixo da modernização da aviação de combate nacional.

A produção deverá ocorrer em parte no Brasil, na fábrica de Gavião Peixoto (SP), inaugurada em 2023 pela Embraer em parceria com a Saab.

Em março deste ano, o país apresentou o primeiro caça supersônico montado em território nacional, considerado marco histórico para a indústria aeroespacial.

O contrato original, avaliado em cerca de R$ 29,5 bilhões, incluiu transferência de tecnologia e treinamento de engenheiros brasileiros.

A nova negociação, porém, ainda não tem cronograma definido e deverá ser concluída apenas no próximo governo.

“Em Defesa, tudo é demorado”, afirmou Múcio, ao lado do ministro sueco.

A iniciativa reforça a cooperação bilateral, que também prevê a compra, pela Suécia, de aeronaves de transporte Embraer C-390 Millennium.

Para o Brasil, a ampliação da frota de Gripen é vista como estratégica para garantir soberania e vigilância em território de dimensões continentais.

Apesar da relevância militar, o anúncio põe no palco político o debate sobre prioridades orçamentárias em ano eleitoral.

Críticos apontam que a execução do programa tem sido lenta e onerosa, enquanto áreas sociais sofrem com cortes. Para defensores, contudo, o investimento é essencial para manter a capacidade operacional da FAB e reduzir a dependência externa em tecnologia de defesa.

O futuro da negociação dependerá da capacidade de o governo justificar os gastos e da evolução da parceria industrial com a Suécia. Até lá, o Gripen seguirá como símbolo da aposta brasileira em tecnologia de ponta para a defesa aérea, em meio às pressões fiscais que desafiam o setor.

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