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Vorcaro amplia delação, cita Ciro Nogueira, União Brasil e contrato de Viviane

Banqueiro do Master inclui senador do PP, Davi Alcolumbre, contrato com Viviane Moraes e projeto Dark Horse ligado a Bolsonaro

da Redação

03 junho 2026

Vorcaro amplia delação, cita Ciro Nogueira, União Brasil e contrato de Viviane

Vorcaro amplia delação, cita Ciro Nogueira, União Brasil e contrato de Viviane.

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma nova proposta de delação premiada.

O material foi apresentado pelos advogados em reunião na segunda-feira, 1º de junho, na Superintendência da PF em Brasília.

Uma nova rodada com investigadores estava marcada para quarta-feira, 3, mas foi desmarcada. A PF pediu mais tempo para analisar o documento.

É a segunda tentativa do banqueiro. A primeira versão foi rejeitada pela PF em 20 de maio. Segundo fontes que acompanham o caso, a nova minuta está “reformulada, ampliada e aprofundada”.

Traz nomes que não constavam antes e eleva de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que Vorcaro se dispõe a devolver caso o acordo seja fechado.

Quem entra na mira

O nome de maior peso incluído agora é o do senador Ciro Nogueira, PP do Piauí. Presidente nacional do partido, ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro e amigo pessoal de Vorcaro, Ciro entrou na proposta depois que a PF encontrou mensagens trocadas com o banqueiro no celular apreendido.

“Ele não teria como não citar Ciro na nova proposta após a PF achar as mensagens”, disse um interlocutor do dono do Master. Procurada, a assessoria do senador não respondeu até o fechamento.

A delação também menciona políticos do União Brasil, partido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do Amapá.

Além deles, empresários e integrantes do mercado financeiro aparecem no material. As fontes não detalharam os nomes, mas garantem que o escopo foi expandido.

Contrato de R$ 50 milhões

A primeira proposta, negada em maio, já trazia um contrato de uma empresa ligada a Vorcaro com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Viviane é advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O documento foi elaborado semanas antes da liquidação do Banco Master e da prisão do banqueiro.

Previa o pagamento de R$ 50 milhões ao escritório Barci de Moraes. Segundo o jornal O Globo, com informação da colunista Malu Gaspar, o contrato não chegou a ser assinado. O escritório não se manifestou.

A defesa de Vorcaro sustenta que o contrato integra o conjunto de fatos que o banqueiro quer esclarecer. A PGR avalia se o documento tem relevância penal ou se trata de relação comercial lícita. O STF não comenta casos envolvendo familiares de ministros.

Dark Horse e Bolsonaro

Outro ponto da nova proposta é a menção ao projeto Dark Horse. Trata-se de um filme que teria relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, interpretado pelo ator Jim Caviezel.

A inclusão foi revelada por interlocutores da defesa. Não há detalhes públicos sobre o teor das informações envolvendo o projeto.

Por que a PF negou a primeira

Investigadores vinham reclamando que o material apresentado em maio acrescentava pouco ao que a PF já tinha.

A avaliação era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas. No dia 20 de maio, a PF rejeitou a proposta.

A PGR, no entanto, decidiu manter as conversas. A própria defesa considera que há chances de evolução. Mas a Procuradoria avisou: além de subir o valor a devolver, era preciso refazer o roteiro da delação. Vorcaro topou. O valor saltou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões.

Adendo e cancelamento de reunião

Segundo a TV Globo, a defesa fez um adendo ao documento na terça-feira, 2, um dia após a entrega. A reunião de quarta, 3, foi cancelada porque os investigadores pediram mais prazo para análise.

Agora a PF e a PGR vão checar a “consistência” das informações, a existência de provas de corroboração e o potencial de avanço das investigações. Só depois o acordo pode ser assinado e homologado pelo Judiciário.

“A lógica do acordo é técnica, sem alvos pré-definidos ou exclusões”, relatou um investigador.

Como Vorcaro prepara a delação

Desde a semana passada, o ministro do STF André Mendonça autorizou Vorcaro a voltar a receber advogados na PF em Brasília. O atendimento ocorre das 9h às 17h, de segunda a sexta, e vale até 12 de junho. A medida foi para permitir a elaboração da nova proposta.

Vorcaro está em cela comum na Superintendência da PF, submetido às regras internas. Antes, ocupava uma sala de Estado-Maior, a mesma usada por Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. Ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a PF em 19 de março, um dia após a defesa procurar a corporação para tratar da delação.

O que a PF já tem

A PF apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro. A perícia inicial de parte dos aparelhos já mostrou, segundo investigadores, que o esquema vai além de fraudes financeiras. Envolve corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.

No início de maio, a defesa finalizou os anexos da primeira delação e entregou o material em um pen drive. Com a rejeição, refez tudo. O novo documento foi entregue em 1º de junho.

CPMI do INSS

A CPMI do INSS espera ouvir Daniel Vorcaro nesta quinta-feira, 5 de junho. A comissão investiga irregularidades no instituto e quer esclarecimentos sobre relações do Master com fundos de pensão e operações que teriam causado prejuízo ao INSS. A logística depende de aval da PF, já que Vorcaro está custodiado.

Se a delação for aceita, parte do depoimento pode ficar sob sigilo. Se rejeitada, ele fala sem a proteção do acordo. A PF acompanha para evitar vazamentos de informações sob segredo de Justiça.

Contexto do caso Master

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em meio a suspeitas de irregularidades. Vorcaro foi preso em operação da PF que apura crimes financeiros. Desde então, tenta emplacar a colaboração para reduzir a pena.

Caso o acordo avance, Vorcaro pode ter redução de pena ou regime diferenciado. Em troca, precisa apresentar provas e dizer a verdade. Quebrar o acordo significa perder os benefícios.

Repercussão

A citação a Ciro Nogueira eleva a temperatura em Brasília. O senador é liderança do Centrão e comanda o PP.

A menção ao União Brasil coloca o partido de Alcolumbre no radar. Alcolumbre preside o Senado e articula com governo e oposição. Procurado, o União não respondeu.

O caso reúne banqueiro preso, liquidação de banco, citação a senador influente, menção a partido do presidente do Senado, contrato com escritório ligado a esposa de ministro do STF e filme associado a ex-presidente.

A PF e a PGR agora decidem se o material de Vorcaro é suficiente para abrir uma nova frente de apuração que pode atingir política e mercado. Se negarem de novo, a defesa perde força e o banqueiro segue respondendo sem benefícios.

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