da Redação
26 maio 2026
Trump fala em paz, Israel mata cúpula do Hezbollah em Beirute (por Moisés Rabinovici).
Moisés Rabinovici*
Israel voltou a atacar o bastião do Hezbollah em Beirute para matar o comandante da força de elite Radwan, Malek Balout, seu vice e outros militares reunidos no local. Havia um mês e meio que caças israelenses não sobrevoavam a capital libanesa. A violação do cessar-fogo foi “coordenada com os EUA”, disseram fontes do governo Netanyahu.
No mesmo dia em que o presidente Donald Trump falou em “grandes progressos” para um acordo com o Irã, um caça americano F-18 disparou contra o leme do petroleiro iraniano Hasna, no Golfo de Omã, depois de o navio ignorar “repetidas advertências”. O petroleiro ficou à deriva.
A Casa Branca oscilou entre o otimismo de concluir um “memorando de entendimento” com o Irã e novas ameaças militares. Trump rebaixou a guerra a uma “escaramuça”, afirmou que o urânio iraniano ficará sob custódia dos Estados Unidos e disse que ambos os países suspenderão os bloqueios no Estreito de Ormuz.
Um dos 14 pontos do memorando de uma página prevê um cessar-fogo no Líbano, separado da trégua que deveria vigorar desde o mês passado, mas que Hezbollah e Israel violam diariamente.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou nesta quarta-feira que Teerã revisa o plano americano para encerrar a guerra. Outra fonte iraniana disse à agência ISNA, porém, que o memorando apresentado pelos EUA não passa de uma “lista de desejos”.

“Se eles não concordarem, os bombardeios recomeçarão”, escreveu Trump em sua rede Truth Social, “em intensidade muito maior”. Ontem, porém, o secretário de Estado Marco Rubio afirmara à imprensa que “a guerra tinha acabado”.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou pelo rádio que novos ataques americanos continuam possíveis. “Podemos dar nossas vidas, mas não nos renderemos”, declarou. A pressa é de Trump, que quer encerrar a guerra antes de sua viagem à China, na próxima semana, e aliviar a pressão sobre os mercados financeiro e de petróleo.
Israel não acredita em acordo próximo entre Washington e Teerã e negou ter sido surpreendido pelas declarações otimistas da Casa Branca. Netanyahu e Trump “mantêm contato contínuo diariamente, e seus estafes trocam informações”, disse um porta-voz em Jerusalém. Segundo ele, Israel está pronto para “terminar o trabalho” caso a trégua seja rompida.
Antes do novo ataque ao sul de Beirute, forças israelenses atingiram a casa do prefeito da aldeia de Zellaya, no Vale de Bekaa. O Ministério da Saúde libanês informou quatro mortos e cinco feridos, entre eles mulheres e crianças. Entre o alerta de evacuação de 11 aldeias e o início dos bombardeios não houve tempo suficiente para a fuga da população.
Israel também ampliou os ataques em Gaza. Azzam al-Hayya, filho do líder do Hamas Khalil al-Hayya, foi morto em Daraj. Seu irmão, Imam al-Hayya, já havia morrido em outro ataque israelense no Catar, em setembro de 2025.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.
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