da Redação
29 maio 2026
Sem decisão, Trump amplia impasse com o Irã.
Ao entrar na Situation Room da Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou que tomaria a “determinação final” sobre o Memorando de Entendimento negociado com o Irã. Ao sair, duas horas depois, seus assessores informaram que nenhuma decisão havia sido tomada.
Pouco antes da reunião, considerada decisiva, Trump publicou em sua rede Truth Social que um eventual acordo envolveria a reabertura do Estreito de Ormuz e o compromisso iraniano de jamais desenvolver uma bomba nuclear. Segundo ele, os Estados Unidos também removeriam os 450 quilos de urânio enriquecido soterrados pelos bombardeios à instalação nuclear de Isfahan.
A reação iraniana foi imediata. O presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, declarou que “Teerã vai alcançar seus direitos não através do diálogo, mas com mísseis”. Em seguida, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, apontou o que pode estar no centro do impasse: segundo ele, o Memorando de Entendimento não inclui a questão nuclear.

A divergência é significativa. Enquanto Trump descreve um acordo baseado na desnuclearização do Irã, Teerã afirma que o documento sequer trata do tema. A contradição ajuda a explicar por que a prometida “determinação final” acabou adiada.
Nos últimos dias, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar tiros, enquanto Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano contra o Hezbollah pró-iraniano. Ao mesmo tempo, diferentes versões do Memorando circularam na imprensa árabe, israelense e americana, sem que nenhuma delas fosse oficialmente confirmada.
Uma das versões prevê a criação de um fundo internacional de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã no pós-guerra. Outra menciona a liberação de US$ 24 bilhões em ativos iranianos congelados em bancos dos Estados Unidos, da Europa e do Oriente Médio.
A perspectiva de uma liberação de recursos dessa magnitude cria dificuldades políticas para Trump. Durante anos, ele criticou duramente o acordo nuclear negociado pelo presidente Barack Obama em 2015. Na época, a suspensão das sanções permitiu ao Irã recuperar cerca de US$ 100 bilhões de seus próprios recursos bloqueados no exterior. Trump denunciou repetidamente a medida como uma concessão excessiva a Teerã.
Enquanto o Memorando permanece indefinido, a guerra econômica continua. Falando hoje no Fórum Econômico Reagan, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou que os Estados Unidos confiscaram aproximadamente US$ 1 bilhão em criptomoedas ligadas ao Irã. Em tom de deboche, acrescentou: “Alguns iranianos podem estar digitando neste momento sem perceber que suas carteiras foram roubadas”.
A frase resume o momento atual: a diplomacia continua em negociação, mas o confronto entre Washington e Teerã está longe de terminar.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.
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