da Redação
03 junho 2026
Lula diz que Brasil não pode ser tratado como “republiqueta insignificante”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3), em reunião ministerial no Palácio do Planalto, que o Brasil não pode “aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao país nesta semana”. A declaração foi feita em meio à repercussão da proposta norte-americana de impor novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, medida que, segundo Lula, não foi comunicada oficialmente ao governo.
O encontro, realizado no início da tarde com ministros e assessores próximos, tinha como pauta principal a conjuntura econômica e os impactos da decisão de Washington. Foi nesse contexto que Lula elevou o tom contra a Casa Branca. “A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil nesta semana. Não é possível”, disse o presidente, em discurso transmitido para os auxiliares.
Segundo Lula, o anúncio das tarifas chegou ao Planalto de forma inesperada. “Eu fiquei sabendo pelo Twitter”, relatou, acrescentando que a medida se baseia em dados incorretos. “É uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os EUA dizem que têm com o Brasil, é o Brasil que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, é o Brasil contra os EUA, não os EUA contra o Brasil.”
O presidente destacou que o Brasil nunca se negou a negociar com os Estados Unidos e lembrou que havia sugerido ao presidente Donald Trump um prazo de 30 dias para que os ministros da área econômica dos dois países chegassem a um acordo. “Eu propus ao Trump, já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar 30 dias para que os dois se entendam. Se o Brasil estiver errado, eu sei voltar atrás, mas se vocês estiverem errados, vocês voltam atrás.
Essa reunião ainda não aconteceu”, afirmou.
Lula disse que pretende enviar uma nova carta a Trump para contestar a decisão e reforçar a disposição do Brasil em dialogar. “Por isso, a nossa surpresa com relação a uma taxação contra o Brasil”, declarou.
O pronunciamento ocorreu em um momento de tensão no gabinete presidencial, com ministros da área econômica alertando para possíveis impactos nas exportações brasileiras. A fala de Lula foi recebida com aplausos por parte de alguns auxiliares, que interpretaram o gesto como uma defesa firme da soberania nacional.
A reação do Planalto marca mais um capítulo na relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, que vinha sendo construída em torno de negociações comerciais. A decisão de Washington, sem aviso prévio, é vista pelo governo brasileiro como um retrocesso e pode abrir uma crise diplomática.
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