da Redação
02 junho 2026
“É uma mistura muito heterogênea e, justamente por isso, o foco real dessa ação nunca esteve totalmente transparente. Tudo indica que se trata menos de uma medida técnica e mais de uma peça dentro do tabuleiro de negociação comercial dos Estados Unidos”, afirma Hoffmann.
Segundo o executivo, não há fundamento técnico ou regulatório para classificar o Pix como uma prática comercial desleal. Ele lembra que o sistema foi desenvolvido pelo Banco Central com objetivos claros de política pública, como ampliar a inclusão financeira, criar uma infraestrutura eficiente de pagamentos instantâneos, reduzir a dependência do dinheiro físico e aumentar a concorrência no setor bancário.
“Não foi concebido como instrumento de competição contra empresas estrangeiras. Inclusive, instituições financeiras internacionais que operam no Brasil participam do Pix em igualdade regulatória”, ressalta.
Hoffmann destaca ainda que o avanço do Pix não impediu o crescimento do mercado de cartões. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que as transações com cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, um salto de 125% em relação a 2020, ano de lançamento do Pix.
“Trata-se de uma modernização estrutural da infraestrutura doméstica de pagamentos, e não de uma prática direcionada contra empresas americanas”, diz. Para ele, a investigação conduzida pela USTR ganhou força após pressões do Information Technology Industry Council (ITI), associação que representa empresas de tecnologia e inclui grandes bandeiras de cartão.
O executivo reconhece que a participação relativa dos cartões diminuiu com a expansão do Pix, que hoje responde por mais de 54% das transações de pagamento no país. Ainda assim, ressalta que o volume total movimentado pelos cartões mais do que dobrou desde a criação do sistema. “Ou seja, o bolo cresceu significativamente, impulsionado pela massiva inclusão financeira proporcionada pelo Pix”, conclui.
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