da Redação
04 junho 2026
Bolsonaro sugere substituir Pix pelo americano Zelle e é alvo nas redes.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Brasil poderia negociar com os Estados Unidos a substituição do Pix pelo Zelle, plataforma de transferências eletrônicas norte-americana.
A declaração foi feita em entrevista ao portal TMC News, no mesmo dia em que Washington concluiu uma investigação contra práticas comerciais brasileiras.
Segundo Eduardo, o Zelle seria um “Pix dos Estados Unidos” e poderia servir como moeda de troca em negociações bilaterais.
Ele também mencionou a possibilidade de incluir recursos minerais estratégicos, como terras raras e manganês, em futuras tratativas.
“Dá pra colocar isso na mesa e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui”, disse.
A fala ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, alegando que o país adota políticas de pagamento eletrônico que prejudicam empresas americanas.
Analistas apontam que a medida tem caráter protecionista, já que a popularização do Pix reduziu o uso de bandeiras de cartão de crédito dos EUA no mercado brasileiro.
Criado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se consolidou como principal meio de transferência financeira no Brasil, com liquidação instantânea e ampla adesão. O Zelle, por sua vez, é limitado: não está disponível em todos os bancos americanos e suas operações podem levar minutos para serem concluídas.
Especialistas destacam que, apesar da semelhança, o sistema norte-americano não possui a mesma funcionalidade nem alcance do Pix.
A sugestão de Eduardo Bolsonaro, portanto, insere-se em um cenário de crescente tensão comercial entre Brasília e Washington, em que meios de pagamento digitais se tornaram parte da disputa.
Retaliação
Estados Unidos citaram Pix 20 vezes no documento do novo tarifaço contra Brasil. No relatório de 107 páginas do USTR, no qual apresenta os argumentos para concluir que a política brasileira distorce a concorrência e cria barreiras ao comércio dos Estados Unidos, o órgão dedica 16 páginas para acusar práticas comerciais desleais no sistema de pagamentos instantâneos criado e operado pelo Banco Central.
Relatório aponta que Banco Central teria adotado regras que favorecem diretamente o Pix. Entre exemplos citados estão a obrigatoriedade de adesão ao sistema por instituições financeiras e a exigência de que o Pix tenha destaque, além da imposição de gratuidade do serviço para pessoas físicas.
Pix é público e gratuito; Zelle é privado. Lançado em 2017, o ‘Pix americano’ pertence a um consórcio privado (Early Warning Services), controlado por grandes bancos.
Pix é instantâneo; Zelle pode demorar horas ou dias para completar transação. Além disso, o sistema americano não cobre todo território dos Estados Unidos nem funciona fora do ecossistema bancário aderente
Comparar Pix com Zelle atrai críticas a filho de Bolsonaro. O tema viralizou na rede social X, colocando o ex-parlamentar entre os assuntos mais comentados nesta quinta-feira.
“Morei quase cinco anos nos EUA. O Zelle não tem nada a ver com o Pix. O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos acessível a qualquer instituição, empresa ou indivíduo. O Zelle é um serviço privado usado prioritariamente para pagamentos P2P”.
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