da Redação
04 junho 2026
Ataque dos EUA ao Pix responsabiliza Flávio Bolsonaro pela situação.
Entre os dias 27 de maio e 2 de junho, a empresa de análise de dados Palver acompanhou mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram. O foco foi identificar como circulavam mensagens sobre o novo pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos e sobre supostas ameaças ao sistema de pagamentos Pix.
O resultado revela um cenário desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Segundo o estudo:
81% das mensagens opinativas atribuem diretamente ou indiretamente a responsabilidade ao senador.
Quando se consideram todas as publicações, incluindo compartilhamentos de notícias sem comentários, 52% ainda apresentam conteúdo negativo para Flávio.
Contexto da análise
O monitoramento foi realizado logo após a viagem do senador aos EUA, onde se reuniu com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 26 de maio.
A partir desse encontro, começaram a circular em grupos de mensageria e redes sociais interpretações de que a aproximação poderia representar risco ao Pix.
A narrativa ganhou força em 1º de junho, quando surgiu a ameaça de novas tarifas contra produtos brasileiros. A decisão final depende do aval de Trump, mas já foi suficiente para alimentar críticas.
Disputa de narrativas
Aliados do presidente Lula (PT) passaram a difundir o termo “Tariflávio”, buscando associar o senador à crise comercial.
Parlamentares do Centrão e até apoiadores de Flávio reconhecem que o episódio representa um revés para sua campanha presidencial.
Em resposta, o senador afirmou ter enviado carta ao governo americano pedindo que as taxas não fossem aplicadas ao Brasil.
O governo brasileiro, por sua vez, sinalizou intenção de negociar com Washington para evitar a imposição das tarifas, ao mesmo tempo em que tenta explorar politicamente o desgaste de Flávio.
Repercussões políticas
O relatório da Palver mostra que muitas mensagens acusam o senador e a família Bolsonaro de “traição à pátria”. Esse discurso se aproxima das falas públicas de Lula, que também critica a postura do adversário.
Entre os conteúdos que defendem Flávio, três linhas principais aparecem:
Classificação das acusações como desinformação ou manobra política da esquerda.
Negação de risco concreto ao Pix, sustentando que o sistema não será bloqueado.
Defesa de que a atuação do senador nos EUA tinha como objetivo combater o crime organizado, aproveitando a decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
Exemplos de mensagens
O levantamento reuniu publicações que mencionavam o Pix em conjunto com referências a Flávio Bolsonaro, Donald Trump ou aos Estados Unidos. Algumas frases ilustram a polarização:
“Bolsonarismo se consolida como principal movimento de traição à pátria da história.”
“Fake news.”
“Lula acusa Flávio de pedir tarifa aos EUA. Sem prova. Motivo da mentira? Medo.”
Dados consolidados
Mensagens opinativas sobre novo tarifaço
Responsabilizam Flávio: 81,1%
Não responsabilizam Flávio: 18,9%
Percentual desfavorável considerando todas as publicações
52%
Palver fez análise de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram.
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