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Acordo EUA-Irã sem assinatura, guerra sem pausa (Moisés Rabinovici)

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da Redação

28 maio 2026

Acordo EUA-Irã sem assinatura, guerra sem pausa (Moisés Rabinovici)

Acordo EUA-Irã sem assinatura, guerra sem pausa (Moisés Rabinovici).

Moisés Rabinovici*

Só faltaria a assinatura do presidente Donald Trump no Memorando de Entendimento que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e um cessar-fogo de 60 dias durante os quais seriam negociadas, prioritariamente, as questões relacionadas ao programa nuclear iraniano. A notícia circulou durante o dia em boletins extraordinários da imprensa internacional.

Mas, enquanto se falava em paz, americanos e iranianos trocavam tiros, drones e bombardeios no Golfo. E Israel voltava a atacar Beirute.
Por que Trump ainda não assinaria o acordo?

O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ibrahim Azizi, apresentou uma hipótese: “Porque ele está num beco sem saída”.

Segundo Azizi, como o Estreito de Ormuz já estava aberto e havia negociações sobre o programa nuclear antes da guerra, a assinatura do memorando transformaria uma vitória militar americano-israelense numa derrota política. Uma fonte israelense concordou com a avaliação: “Trump precisa de algo mais, como novas adesões aos Acordos de Abraão, para se proclamar vitorioso”.

Os Acordos de Abraão, lançados pelos Estados Unidos em 2020, normalizaram as relações entre Israel e diversos países árabes. O principal objetivo atual de Trump seria atrair a Arábia Saudita, que continua condicionando sua adesão à criação de um Estado palestino — algo distante da realidade política do governo Netanyahu.

A agência semioficial iraniana Tasnim e uma fonte israelense ouvida pelo Times of Israel afirmaram, porém, que o líder supremo Mojtaba Khamenei ainda não aprovou a versão inicial do acordo que Trump pediu tempo para assinar.

O Memorando de Entendimento tem apenas uma página e 14 itens, mas não foi divulgado. Versões que circularam em Teerã foram classificadas pela Casa Branca como “total fabricação”.

Segundo informações publicadas pelo Al Arabiya, Reuters e Axios, o entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, um cessar-fogo que também abrangeria o Líbano, a retomada das exportações iranianas de petróleo, o alívio gradual das sanções americanas e a liberação parcial de cerca de US$ 20 bilhões dos US$ 112 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.

Fotos IDF no sul do Líbano

À espera da assinatura de Trump, os confrontos continuaram.

Forças americanas e iranianas trocaram tiros, drones e bombardeios no Golfo. No Líbano, Israel voltou a atingir a região de Beirute ao bombardear um apartamento em Shuwayfat, próximo ao aeroporto internacional. O alvo seria Ali al-Husni, apontado como chefe da divisão de mísseis Imam Hossein do Hezbollah.

Beirute foi a exceção de uma escalada concentrada principalmente no sul do Líbano, iniciada há dois dias. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comprometeu-se com Trump a limitar ataques à capital libanesa a operações de assassinato seletivo e, segundo fontes israelenses, consultou Washington antes da ação.

Apesar dos bombardeios, delegações israelense e libanesa voltarão a se reunir amanhã, no Pentágono, em Washington, para prosseguir as negociações destinadas à normalização das relações entre os dois países, tecnicamente em guerra desde 1949.

O chefe de Operações do Exército libanês, general George Razek-Allah, defenderá um cessar-fogo completo com Israel e apresentará um plano para o desarmamento gradual do Hezbollah, transformando o sul do Líbano em uma zona desmilitarizada.

Segundo o porta-voz militar israelense, cerca de 2.500 combatentes do Hezbollah foram mortos desde o início da guerra com o Irã. Desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023, o número chegaria a aproximadamente 8 mil.

A atual ofensiva israelense busca afastar os drones guiados por cabo de fibra ótica, imunes aos sistemas eletrônicos de defesa. Ontem, um desses aparelhos matou mais um soldado israelense, o terceiro em uma semana.

No início da noite, novas explosões foram ouvidas no Golfo. Relatos preliminares falavam em disparos de advertência contra embarcações no Estreito de Ormuz e no lançamento de um míssil balístico do sul do Irã em direção a quatro navios da frota americana.

Apesar das notícias sobre um memorando praticamente concluído, Israel manteve suas forças em estado de prontidão para um eventual reinício da guerra contra o Irã. A paz parecia próxima nos comunicados. No terreno, a guerra continuava.

*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.

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