da Redação
12 junho 2026
O setor automotivo brasileiro vive um cenário paradoxal: enquanto a produção nacional avança, ela já é menor que o volume de importados, puxados principalmente pela China. Em maio, foram produzidos 253,6 mil veículos, alta de 15,2% sobre o mesmo mês de 2025, o melhor resultado para o período desde 2019.
Ainda assim, os 55 mil veículos importados no mês e os 223 mil acumulados no ano (+17,4%) superam o ritmo da indústria local. A China lidera com crescimento explosivo de 86,6%, enquanto a Argentina recuou 16,8%. As informações foram divulgada nesta sexta-feira (12) pela Anfavea, a associação das montadoras do Brasil.
O mercado interno continua sendo o grande motor da expansão. Os emplacamentos chegaram a 274,7 mil unidades em maio, avanço de 10,6% sobre abril e 21,7% sobre maio/25, com média diária de 13,7 mil veículos, a melhor desde dezembro de 2014.
No acumulado, 1,148 milhão de unidades representam alta de 16,4%.
Dentro desse movimento, os veículos eletrificados são protagonistas. A participação atingiu 19,5%, recorde histórico. Os elétricos puros tiveram 21 mil unidades emplacadas, também recorde, enquanto os híbridos somaram 30,7 mil unidades.
O programa Carro Sustentável impulsionou os modelos de entrada, e os comerciais leves cresceram 7,7%. Já os pesados seguem em retração: caminhões (-15,1%) e ônibus (-16,3%), com expectativa de recuperação via financiamento do Move Brasil 2.
No acumulado de produção, o país já superou a marca de 1,126 milhão de veículos, alta de 7,1% sobre 2025. Mas o contraste é evidente: enquanto o mercado interno e os eletrificados mostram vigor, as exportações seguem em queda.
Foram apenas 37,4 mil unidades embarcadas em maio, segundo mês consecutivo de retração. No ano, 180 mil veículos exportados representam recuo de 20%.
A Colômbia cresceu 14,5%, mas os tombos para Argentina (-33,3%), Uruguai (-34,5%) e Chile (-19,6%) derrubaram o saldo geral.
O quadro revela uma indústria que se apoia cada vez mais no consumo interno e na eletrificação, mas perde espaço no comércio exterior. O desafio é equilibrar a dependência dos importados, especialmente da China, com a necessidade de fortalecer a produção nacional e recuperar mercados vizinhos.
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