Fator Trump: Bolsas asiáticas caem com incertezas sobre impacto de tarifas à China. (Reprodução TV)


Os mercados de ações nos EUA e na Ásia despencaram, refletindo o impacto da guerra comercial iniciada pelo presidente Donald Trump. A tensão aumentou após Trump afirmar, em entrevista, que a economia americana está em um “período de transição”, levantando temores de uma possível recessão.

Na segunda-feira (10/03), o índice S&P 500 caiu 2,7%, o Dow Jones recuou 2% e o Nasdaq, focado em tecnologia, despencou 4%. Gigantes como Tesla (-15,4%), Nvidia (-5%) e outras empresas de tecnologia, como Meta, Amazon e Alphabet, também sofreram quedas significativas. Na Ásia, o impacto foi sentido, mas com recuperação parcial: o Nikkei 225 caiu 0,6% e o Kospi, 1,3%.

Enquanto isso, o dólar continuou em queda frente à libra e ao euro. Na Europa, os mercados mostraram mais estabilidade, com índices como o FTSE 100 e o Dax alemão abrindo sem grandes oscilações.

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BRASIL

Por aqui, o Ibovespa recuou apenas 0,4% na segunda-feira, mas acumula alta de 1,4% em março e 3,5% no ano. Apesar disso, o Brasil pode se tornar alvo da guerra comercial de Trump, já que o presidente americano mencionou o país em seu discurso no Congresso, acusando-o de usar tarifas contra os EUA.

ENTREVISTA

A entrevista de Trump à Fox News no domingo (09/03) foi um dos gatilhos para a queda nos mercados. Ele reconheceu as preocupações dos investidores, mas minimizou os impactos: “Estamos trazendo riqueza de volta para a América. Isso é algo grande.” Sobre a inflação, Trump admitiu que “pode acabar tendo isso”, mas destacou que as taxas de juros estão caindo.

Analistas acreditam que a relação de Trump com os mercados está mudando. Antes visto como “o presidente do mercado de ações”, agora ele gera incertezas tanto para líderes políticos quanto para investidores. “Os mercados odeiam o caos”, afirmou Ruth Foxe-Blader, da Foxe Capital.

TESLA

A Tesla foi uma das mais afetadas, com queda de 15,4% nas ações. Segundo Lindsay James, da Quilter Investors, isso reflete uma queda nos pedidos na Europa e na China, além da concorrência de fabricantes chineses de veículos elétricos. A política de Elon Musk também pode estar afetando a marca.

Economistas apontam que as tarifas de Trump, aplicadas a países como China, México e Canadá, podem elevar preços e prejudicar o crescimento econômico. Mohamed El-Erian destacou que os investidores subestimaram o impacto de uma guerra comercial e agora estão ajustando suas expectativas.

Apesar disso, conselheiros de Trump, como Kevin Hassett, permanecem otimistas. “As tarifas já estão trazendo produção e empregos de volta para os EUA”, afirmou. O secretário de comércio, Howard Lutnick, também rejeitou a ideia de uma recessão: “Não haverá recessão na América.”

CENÁRIOS

Com mercados instáveis e investidores cautelosos, o cenário global segue imprevisível. A guerra comercial de Trump continua sendo um fator-chave para a economia mundial, e os próximos passos do presidente americano serão decisivos para determinar o rumo dos mercados.

FATOR TRUMP: Bolsas de Nova York tem pior desempenho desde 2009

O presidente dos EUA, Donald Trump, completou 50 dias no poder nesta segunda-feira (10). Até o momento, as bolsas de Nova York mostram seu pior desempenho desde o primeiro mandato de Barack Obama, em 2009.


O índice Dow Jones Industrial Average acumulou queda de 3,6% desde que Trump tomou posse pela segunda vez, enquanto o S&P 500 recuou 6,4% e o Nasdaq tombou 11%. O chamado Russell 2000, composto por empresas com menor valor de mercado, sofreu robusta perda de 11,3%. Todos esses índices caíram abaixo de seus níveis de fechamento de 5 de novembro de 2024, dia da eleição presidencial dos EUA. Na ocasião, a vitória de Trump havia deflagrado um forte rali por várias semanas.


Mais recentemente, porém, as ações em Wall Street passaram a cair de forma acentuada, principalmente depois da máxima histórica que o S&P 500 atingiu em 19 de fevereiro. A Tesla e a Nvidia, algumas das maiores empresas em valor de capitalização dos EUA, amargaram violentas perdas, mas a tendência de queda tem sido intensa e disseminada. Fonte: Dow Jones Newswires.

Depois de 50 dias de governo, as bolsas refletem período ruim frente o governo Trump. (Foto Dow Jones)