O Ministério Público de São Paulo denunciou o juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, de 67 anos, por falsidade ideológica e uso de documento falso. A denúncia, apresentada em 27 de fevereiro deste ano à 29ª Vara Criminal de São Paulo, revelou que Reis utilizou por 40 anos uma identidade fictícia, “Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield”, enquanto exercia cargos de destaque no Tribunal de Justiça paulista.
A investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo ganhou força em outubro de 2024, quando o magistrado tentou obter uma nova via do RG com o nome falso em um Poupatempo na capital. Graças a tecnologias modernas de comparação de impressões digitais, foi possível comprovar a fraude e desvendar a verdadeira identidade do juiz.
Segundo o Ministério Público, Reis construiu sua carreira jurídica sob a identidade falsa, obtendo seu diploma de Direito na USP na década de 1980 e ingressando na magistratura na década seguinte. Durante a trajetória profissional, assinou milhares de sentenças em varas cíveis como “Edward A. L. D. C. Caterham Wickfield”. Ele também ocupou o cargo de coordenador do Núcleo Regional da Escola Paulista da Magistratura em Serra Negra (SP).
A criação da identidade fictícia remonta a 19 de setembro de 1980, quando Reis emitiu um RG falso usando documentos fraudulentos, como um certificado de dispensa de incorporação do Exército e carteiras de trabalho e serviço público. A Promotoria listou três ocasiões recentes em que ele emitiu documentos falsos: em 2020, no Registro Nacional de Veículos Automotores; em 2021, em documento do Departamento Estadual de Trânsito; e em 2024, ao tentar renovar o RG.
O promotor Maurício Salvadori destacou que, à época, documentos oficiais eram facilmente falsificáveis devido à ausência de dispositivos de segurança. A denúncia também pede o cancelamento dos documentos fraudulentos, incluindo o CPF em nome de “Wickfield”, e medidas cautelares como a entrega do passaporte de Reis e a proibição de deixar a cidade onde reside.
Com a denúncia aceita, José Eduardo Franco dos Reis agora responde como réu pelos crimes apontados, trazendo à tona um caso intrigante que expõe a fragilidade de sistemas de identificação em décadas passadas. A Justiça continua investigando possíveis desdobramentos e impactos causados ao longo de sua carreira.


